quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Antonio Bruno Zwarg

Antonio Bruno Zwarg é pianista, cantor e compositor. Iniciou sua carreira nos anos 40 tocando harmônica com as duplas "Cascatinha e Inhana" e "Irmãs Castro" em bailes, festas e clubes. Logo começou a tocar piano na noite paulistana, em 50 e 60 venceu festivais promovidos pela extinta Rede Tupy, teve um hino adotado pelo Esporte Clube São Paulo e canções gravadas por grandes nomes da MPB: "Solidão" por Maysa, Isaurinha Garcia, Claudette Soares e Dóris Monteiro. "Resolvido" e "Eu Me Recordo" (parceria com Lúcio Cardim) gravados por Jamelão. "Contra-senso" por Isaura Garcia e Eliseth Cardoso. "Meu Barco," "O Convento", "O Correio de Iguape" (parceria com Ernesto Zwarg) por Hermeto Paschoal. "Que Pena" por Agnaldo Rayol, "Velhos Carnavais" por Silvio Caldas entre outros cantores, duplas e trios consagrados. Compositor de mais de 700 canções e autor de peças de teatro, dedicou parte de sua obra a um tema muito importante nos dias atuais, a ecologia e as praias do Litoral de São Paulo. Com a parceria de seu irmão  Ernesto Zwarg (fantástico gnomo ecologista) compuseram incontáveis canções com as temáticas Mata Atlântica, praias, a cultura caiçara e indígena.

Antonio Bruno está a frente de sua época, hoje com 87 anos com uma excelente saúde e sempre compondo. Sem dúvida um dos maiores compositores de canção do Brasil.

Atualmente mora em São Paulo. 

Contatos pelo fone (11) 5594-6962 oitentaedois@hotmail.com

Fotos



Fotos diversas sobre a carreira como acordeonista, exceto uma como arranjador e uma tirada na gravação do Praias, Canções e Ecologia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Música Sertaneja

Antonio Bruno começou sua carreira profissional tocando acordeom em regionais. Viajou com a dupla Flausino e Florêncio,  Irmãs Castro e tocou com Cascatinha e Inhana em circos, casas de show, gravou discos, entre eles, o de mais sucesso com a famosa música "Índia".

Logo se tornou acordeonista da rádio Record, rádio  Tupy e Cultura, onde tinha programas diários. 

Trabalhou por anos tocando com diversos artistas nacionais e internacionais. Nessa época conheceu Aimé Vereck que gravou a música "Maquininha". (ouça "Maquininha" na rádio ao lado)

Outra música muito preciosa e brasileira, chama-se "Eu te amo" (ouça clicando aqui) que foi gravado pelas Irmãs Galvão.

Eu te amo
(Antonio Bruno)

Quando eu me declarar ao meu grande amor
Quero fazer de forma original
Eu não direi te amo em português
E nem em outra língua internacional

Para recordar de um tempo que já passou
Homenageando a terra onde nasci
Quando eu disser te amo meu grande amor
Quero dizer na língua tupi-guarani

Ro haihu cunhataí
Ro haihu Itereí

Que melodiosa é nossa língua tupi-guarani

Uma canção muito famosa nos cenários do acordeom, sertanejo e tambem internacional foi "Saci" (Ouça clicando aqui)  gravada em quatro línguas diferentes, teve seis gravações na França e grande repercussão na Europa. 

Saci
(Antonio Bruno e Ernesto Zwarg)

Saci, que faz feitiço na floresta
Saci, que tem segredos de magia
Seus olhos são dois Sacis bem pequeninos
Que fazem meu pobre coração bater

Saci que enfeitiçou a minha vida
Saci, que iludio meu sentimento
Nos olhos a me levar minha tristeza
Leva essa lembrança como paga do seu desprezo

Os seus olhos que espelhavam docemente minha imagem
Esses olhos que se escondem quando passo por você
São dois Sacis a enfeitiçar
Mas eu retribuo lhe deixando minha tristeza

Suas composições foram gravadas pelos artistas: Trio Icaraí, Úccio Gaeta e seu conjunto, Carlinhos Mafazoli e seu conjunto, Cascatinha e Inhana, Duo Brasil Moreno, Irmãs Castro, Irmãs Galvão, entre outros grupos importantes.

Faça o download de um CD contendo as obras sertanejas clique aqui.

Ale Minuti

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bola no Barbante

Antonio Bruno participou da história do São Paulo Futebol Clube compondo um hino e grito de torcida, feitos com a parceria de Oswaldo Moles (grande parceiro de Adoniram Barbosa) e Rubens Amaral (pianista da boite Oasis), e gravados por Hebe Camargo, na época grande cantora da Rádio Nacional.

"Bola no Barbante" (baixe o disco clicando aqui) teve o objetivo de arrecadar fundos para a construção do estádio do Morumbi.


Grito da Torcida
(Antonio Bruno e Oswaldo Moles)

Arakan-Baran-Bakan
Arakan-Baran-Bakan
Stuberê-Stuberá
Macambê-Mecambecá
Rico-réco, Rico-rá
Rá-Rá-Rá

São Paulo!
São Paulo!
São Paulo!

Eh São Paulo
Eh São Paulo
O mais querido da terra bandeirante

Eh São Paulo
Eh São Paulo
Com o tricolor é bola no barbante!

Entramos em campo confiantes
Nossa defesa joga com valor
Vão para frente os avantes
Aumentar o placar do tricolor

Grita a torcida delirante
Com o Tricolor é bola no barbante.

Ouça o grito da torcida clicando AQUI

São Paulo Futebol Clube
(Antonio Bruno e Rubens Amaral)

Salve o São Paulo
Clube das treze listras
Preto, branco e vermelho
Tradição dos paulistas

Salve o São Paulo
Rei da brasilidade
És um clube, um estado
E uma grande cidade

Salve o São Paulo
Tradição
Tu viverás em nosso
Coração

Teus onze heróis
Modernos bandeirantes
Reviverão sua glória

Sob aplausos delirantes

Ouça o hino feito para a criação do estádio do São Paulo clicando aqui

Ale Minuti

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os Índios

ANTÔNIO BRUNO  e ERNESTO ZWARG 
                  
Na quebrada da serra
 Mora um índio arredio.
Na quebrada da serra
Mora um índio arredio.

Já não há mais esperanças
Nesse seu olhar vazio
Pois tiraram suas terras,
Sua alma, seu Brasil.

Ensinou palavras
Tão bonitas em Tupi.
E contou suas lendas
À luz da lua que é Jaci.

Lembra os bichos que morreram,
Lembra a mata que morreu;
Lembra as tribos que morreram,
Lembra o mundo que acabou.

O Pajé da aldeia
Canta numa oração.
No Abarebebê,
Ante a desolação:

Na quebrada da serra
Mora um índio arredio.
Na quebrada da serra
Mora um índio arredio.


Baixe e ouça a música "Os Índios" clicando AQUI

Música composta em parceria com seu irmão, Ernesto Zwarg, ecologista, jornalista e politíco, um dos atores principais na transformação da Juréia em reserva ecológica. Ernesto mobilizou os cidadãos da região na Romaria de Iguape (cortejo que saía de Peruíbe e ia até Iguape andando sobre o caminho antigo do Imperador - ramo do Peabiru) a população se engajou em protestos contra a Usina Nuclear que seria construída na Juréia sobre a trilha e toda cultura que havia ali, os caiçaras, o antigo caminho dos índios e a floresta. 

Mas como nem sempre o pior acontece, o homem, o governo, e a população comprenderam a necessidade de mantermos a floresta e a cultura... Vencemos! Nada de Usina (que se mudou para Angra dos Reis), nada de concreto sobre a nossa história... E depois de expulsar o projeto dos militares, o tombamento como reserva foi inevitavel. Mas o perigo continua, precisamos de um novo gigante como Ernesto Zwarg, para manter o maior pedaço de Mata Atlântica que sobrou.

A familía Zwarg, criou um grande repertório de canções e poemas sobre o Litoral de São Paulo, os três discos lançados de forma independente, ainda nos anos 70, sob um selo ECOBRAS (possivelmente idealizado por Ernesto), o primeiro LP com gravações de Antonio Bruno, o segundo foi "Praias, canções e Ecologia" (baixe AQUI) com grandes músicos  e cantores como Vidal Sbrigi, Alex Sis, Roberto Luna Junior, Rosaly Lima, Roberto Sion, Pedro Paulo, Mário Martins, Luiz Risada, Antonio, Ernesto e Itiberê Zwarg. O terceiro foi "Da Juréia ao Himalaia - Caminhos da Liberdade, (baixe aqui) os três discos são inovadores em varios sentidos, por terem sido de forma independente das grandes gravadoras, por terem uma temática ecologista totalmente poética, sensível e pela musicalidade cosmopolita do estado de São Paulo.
Essas canções são tão importantes para concertos, para o turismo no litoral, para conscientizar populações em áreas de preservação e para o professor de ensino Médio e Fundamental, não apenas nas cidades onde o repertório fala especificamente, mas das áreas metropolitanas de São Paulo onde a população vai passear no Litoral.

Ale Minuti

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Pré-golpe militar

Fidel Castro
(Antonio Bruno e Marly de Oliveira)

Fidel Castro
Fidel Castro
O mundo inteiro
Lhe acompanha passo a passo

A nossa escola de samba
Precisa alguém como você
Para ser Port-estandarte
Eu vou deixar a minha barba crescer.


Marcha de carnaval em parceria com Marly de Oliveira, escritora, poeta, autora de mais de dez livros, casada com João Cabral de Melo Neto. Lançada em 1960, essa música demonstra o período pré-golpe militar, a tendência para temas comunistas nos carnavais e a importância destes artistas nesse episódio.

Outra música sobre esse tema pré-ditadura militar foi "Minha Candidatura" que descreve o povo insatisfeito com as promessas eleitorais que nunca são realizadas e premeditando um golpe militar caso a sociedade continuasse cobrando com greves e passeatas. Essa música tem a parceria de José Saccomani, compositor gravado por Cauby Peixoto, Osvaldo Rodrigues e Trio Nago. Também desenvolveu um repertório palhacionístico;  Sua obra foi imortalizada pelos palhaços Arrelia e Carequinha.

Minha Candidatura foi gravada em 1959 por Caco Velho, sambista irreverente, fez turnês para França, tocou com Dick Farney (click AQUI para baixar a gravação de Caco Velho) 

Abaixo o vídeo do concerto inesquecível com a Itiberê Orquestra Família.

Minha Candidatura
(Antonio Bruno e José Saccomani)

Comunico a meus amigos que vou me candidatar;
Pois concorro a um cargo:
Dessa vez vou legislar!

E já tenho um programa de alcance nacional ;
Em cada escola de samba;
Tenho um cabo eleitoral.

Se eu for eleito ordeno a abertura dos cassinos,
Precisamos de divisas, incentivo ao turismo;
Farei uma curriola entre os membros do Senado
Regulando o divórcio: _Pois o papai tá enrascado.

Para a assimilação do emigrante estrangeiro
Obrigar assim que chegue;
A aprender tocar pandeiro;

Amparar as profissões de boêmio e de sambista
Isentar de todo Imposto;
A quem for malabarista;

Para dar mais incentivo à Indústria Nacional,
Vou pedir aos meus amigos da Coluna Social,
Pra fazer com que o granfino, que sem a moda não passa...
Ao entrar numa Boate: _Peça um gole de cachaça.

Mas se houver uma surpresa
E o papai for derrotado;
Apelo para a ignorância...
E dou um golpe de Estado



Ale Minuti

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Atitude

19.12.1981

Nossa atitude ante as coisas é que determina seu valor, pois nós, só nós, somos o sujeito do conhecimento. As coisas podem ser conhecidas através de muitos prismas, tantos quanto queiramos, e embora sejam movimento estático, eterno e infinito, são reais e imutáveis o que, em forma de palavras, parece-nos absurdo. E são. É que as palavras, que também são Deuses, voam mais alto que a realidade.

Nós, esses maravilhosos seres humanos, também somos tudo isso, mas com a consciência do processo, podendo mesmo modificá-las, modificá-lo; somos capazes de entender, pois somos Lógicos; julgar, pois somos Éticos; e amar, pois somos Estetas. É este o sentido do Panorama Visto da Ponte, sentido que lhe dou, simplesmente porque Eu Quero. É o ponto de vista do espectador, do Sujeito, ou seja, do Herói, do Prometeu Eterno, dono do Fogo, que os Deuses guardavam, zelosos e avaros, no seu inútil nada ser, atemporal e inócuo,
       
Mas agora, o Universo, que é um poema de um verso só, já tem um Dono, o Sujeito, capaz de conhecer, nomear, julgar e organizar,    poderíamos chamá-lo de Jeová Brahma, Aknaton, Osíris, Odim, Tupan, Changô, Krishna ou outros apelidos que lhes inventamos, mas o seu verdadeiro nome, nome comum, por isso próprio, vai aqui, com muita propriedade, com letra maiúscula: Homem, ou, ainda, o Homem Universal, ou seja, coletivo.

A Imagem seria a de um Homem Qualquer, sentado em seu Trono Imperial, tendo a sua direita, porém um pouco abaixo, Deus; e a sua esquerda, nesse mesmo plano, o Diabo; que parecem inseparáveis como o Norte e o Sul e todos os opostos. E o Homem pensa, pois humano é, nas propostas que fazem os dois mercadores que querem lhe impor suas inúteis mercadorias, aliás, muito parecidas.

E o Homem imagina uma maneira de fazer com que os dois seres ilusórios se autodestruam, se anulem, para a Humanidade poder descobrir-se pela lógica, pela beleza e pela bondade, sem a influência cruel e nefasta desses dois personagens negativos que nós mesmos criamos, nos tempos antigos, para ocultar o vazio da nossa inteligência. Livremo-nos dos caciques e dos pajés. Nossa tribo é o mundo inteiro.

Precisamos de democracia, cultura, fraternidade, internacionalismo, universalismo e humanismo. E o DEUS que existe na gente se revelará Bom, Inteligente e Belo. Nós fomos Deuses e temos nos esquecido.

ANTONIO BRUNO ZWARG.